Olha a bolha d'água
no galho!
Olha o orvalho!
Olha a bolha de vinho
na rolha!
Olha a bolha!
Olha a bolha na mão
que trabalha!
Olha a bolha de sabão
na ponta da palha:
brilha, espelha
e se espalha.
Olha a bolha!
Olha a bolha
que molha
a mão do menino:
a bolha da chuva da calha!
Autor: Cecília Meireles
Versos e Poesias
sexta-feira, 21 de dezembro de 2012
Jogo de bola
A bela bola
rola:
a bela bola do Raul.
Bola amarela,
a da Arabela.
A do Raul,
azul.
Rola a amarela
e pula a azul.
A bola é mole,
é mole e rola.
A bola é bela,
é bela e pula.
É bela, rola e pula,
é mole, amarela, azul.
A do Raul é de Arabela,
e a de Arabela é de Raul.
Autor: Cecília Meireles
rola:
a bela bola do Raul.
Bola amarela,
a da Arabela.
A do Raul,
azul.
Rola a amarela
e pula a azul.
A bola é mole,
é mole e rola.
A bola é bela,
é bela e pula.
É bela, rola e pula,
é mole, amarela, azul.
A do Raul é de Arabela,
e a de Arabela é de Raul.
Autor: Cecília Meireles
Colar de Carolina
Com seu colar de coral,
Carolina
corre por entre as colunas
da colina.
O colar de Carolina
colore o colo de cal,
torna corada a menina.
E o Sol, vendo aquela cor
do colar de Carolina,
põe coroas de coral
nas colunas da colina.
Autor: Cecília Meireles
Carolina
corre por entre as colunas
da colina.
O colar de Carolina
colore o colo de cal,
torna corada a menina.
E o Sol, vendo aquela cor
do colar de Carolina,
põe coroas de coral
nas colunas da colina.
Autor: Cecília Meireles
quinta-feira, 11 de outubro de 2012
Qual a palavra ?
Nas estradas mais antigas,
trilhas, atalhos,
nas montanhas altas, escarpadas,
nas vilas, nas cidades,
nos oceanos, cachoeiras,
em todos os rios
e fios de água,
em todas as ruas
e becos,
nos recantos escuros
e claros,
em cada pedaço de mundo grande ou pequeno,
uma palavra estandarte
costura os homens na Terra,
inventa a vida.
Nos gestos de todo dia,
na mesa posta, no olhar,
no sorriso, na carícia,
uma palavra vem antes de todas,
é a chave da lua e do sol.
Lua perdida
nos quatro cantos
do mundo,
assombrando os sonhos.
Às vezes adormecida
no rastro vermelho
do sol.
Uma palavra é argila,
trigo e floresta.
É água macia
de lavar as mãos
e os corações.
Fio primeiro de todos os panos
nessa palavra as palavras se banham.
Essa palavra tão pequena
e grande,
pássaro palpitante,
palavra viva em carne viva.
Palavra de mudar o mundo,
de fazer pão e telhado,
de abrir os cadeados,
as porteiras trancadas
do universo,
as águas azuis
que dormem no fundo
de cada homem.
Palavra escrita na palma
da mão de cada gente,
junto com as misteriosas
linhas da vida.
Junto com a trama
secreta
do destino.
É preciso soletrar
suas letras,
soprar bem alto
seu nome sonoro,
como poeira mágica,
como pólen, seiva
ou luz.
Nas chamas do dia,
nos ventos da noite,
pelos mares, oceanos,
desdobrar sua magia,
como se desdobram
as velas guardadas
de um barco.
Por todos os vales,
riachos, montanhas,
acordar seu nome,
soar seu nome,
soar seus sinos,
espalhar seu brilho.
Acordar seu nome
como o sol
acorda seus pássaros
e a noite os seus mistérios.
Para que os homens
de todas as terras,
de todas as línguas,
de todas as cores,
se todos os povos,
para que todos os homens
dancem junto com a terra
a dança silenciosa dos astros.
A dança secreta
dos astros,
desde sempre dançada,
infinitamente.
E para que a Terra possa
continuar viva para sempre
sempre viva rodando para sempre,
rodando para sempre,
rodando para sempre.
Paz
Autor: Roseana Murray
trilhas, atalhos,
nas montanhas altas, escarpadas,
nas vilas, nas cidades,
nos oceanos, cachoeiras,
em todos os rios
e fios de água,
em todas as ruas
e becos,
nos recantos escuros
e claros,
em cada pedaço de mundo grande ou pequeno,
uma palavra estandarte
costura os homens na Terra,
inventa a vida.
Nos gestos de todo dia,
na mesa posta, no olhar,
no sorriso, na carícia,
uma palavra vem antes de todas,
é a chave da lua e do sol.
Lua perdida
nos quatro cantos
do mundo,
assombrando os sonhos.
Às vezes adormecida
no rastro vermelho
do sol.
Uma palavra é argila,
trigo e floresta.
É água macia
de lavar as mãos
e os corações.
Fio primeiro de todos os panos
nessa palavra as palavras se banham.
Essa palavra tão pequena
e grande,
pássaro palpitante,
palavra viva em carne viva.
Palavra de mudar o mundo,
de fazer pão e telhado,
de abrir os cadeados,
as porteiras trancadas
do universo,
as águas azuis
que dormem no fundo
de cada homem.
Palavra escrita na palma
da mão de cada gente,
junto com as misteriosas
linhas da vida.
Junto com a trama
secreta
do destino.
É preciso soletrar
suas letras,
soprar bem alto
seu nome sonoro,
como poeira mágica,
como pólen, seiva
ou luz.
Nas chamas do dia,
nos ventos da noite,
pelos mares, oceanos,
desdobrar sua magia,
como se desdobram
as velas guardadas
de um barco.
Por todos os vales,
riachos, montanhas,
acordar seu nome,
soar seu nome,
soar seus sinos,
espalhar seu brilho.
Acordar seu nome
como o sol
acorda seus pássaros
e a noite os seus mistérios.
Para que os homens
de todas as terras,
de todas as línguas,
de todas as cores,
se todos os povos,
para que todos os homens
dancem junto com a terra
a dança silenciosa dos astros.
A dança secreta
dos astros,
desde sempre dançada,
infinitamente.
E para que a Terra possa
continuar viva para sempre
sempre viva rodando para sempre,
rodando para sempre,
rodando para sempre.
Paz
Autor: Roseana Murray
terça-feira, 9 de outubro de 2012
Céu
A criança olha
Para o céu azul.
Levanta a mãozinha,
Quer tocar o céu.
Não sente a criança
Que o céu é ilusão:
Crê que o não alcança,
Quando o tem na mão.
Autor: Manuel Bandeira
Para o céu azul.
Levanta a mãozinha,
Quer tocar o céu.
Não sente a criança
Que o céu é ilusão:
Crê que o não alcança,
Quando o tem na mão.
Autor: Manuel Bandeira
A estrela
Vi uma estrela tão alta,
Vi uma estrela tão fria!
Vi uma estrela luzindo
Na minha vida vazia.
Era uma estrela tão alta!
Era uma estrela tão fria!
Era uma estrela sozinha
Luzindo no fim do dia.
Por que da sua distância
Para a minha companhia
Não baixava aquela estrela?
Por que tão alta luzia?
E ouvi-la na sombra funda
Responder que assim fazia
Para dar uma esperança
Mais triste ao fim do meu dia.
Autor: Manuel Bandeira
Vi uma estrela tão fria!
Vi uma estrela luzindo
Na minha vida vazia.
Era uma estrela tão alta!
Era uma estrela tão fria!
Era uma estrela sozinha
Luzindo no fim do dia.
Por que da sua distância
Para a minha companhia
Não baixava aquela estrela?
Por que tão alta luzia?
E ouvi-la na sombra funda
Responder que assim fazia
Para dar uma esperança
Mais triste ao fim do meu dia.
Autor: Manuel Bandeira
Ou isto ou aquilo
Ou se tem chuva e não se tem sol,
ou se tem sol e não se tem chuva!
Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!
Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão não sobe nos ares.
É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo nos dois lugares!
Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e gasto o dinheiro.
Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo...
e vivo escolhendo o dia inteiro!
Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranquilo.
Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.
Autor: Cecília Meireles
ou se tem sol e não se tem chuva!
Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!
Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão não sobe nos ares.
É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo nos dois lugares!
Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e gasto o dinheiro.
Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo...
e vivo escolhendo o dia inteiro!
Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranquilo.
Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.
Autor: Cecília Meireles
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